ASAS NOS PÉS
O que penso já não sei
se vou para o norte
se tropeço em minha sombra
ou grito à beira do mar...
Não, não posso dizer que sou livre
nem que minha roupa se destaca
parece que sobre minha cabeça existe uma placa
com dizeres em códices indonésios.
O céu carrega todas as minhas estrelas
e as gaivotas nos ares são altares
e sou apenas a mão que segura a caneta
num universo em que tropeço todas as manhãs bem cedo.
Ser poesia é obrigatoriamente ser poeta
e em minha maleta secreta
meus olhares são sonhos coloridos
uns leões, outros tigres.
Pois a vida é veloz feito raio
e meu canto é um rosário
malha fina que perpassa a alma de todos
e reescreve um mundo novo a cada tempestade
que carece de qualquer vontade ou de um novo amor
que já vem com data de validade vencida.
(Autoria: poeta Júlio Dalvorine)
País: Brasil
Imagem meramente ilustrativa do Pinterest




