quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Mais um poemas pra vocês meus queridos amigos


 

ASAS NOS PÉS


O que penso já não sei

se vou para o norte

se tropeço em minha sombra

ou grito à beira do mar...


Não, não posso dizer que sou livre

nem que minha roupa se destaca

parece que sobre minha cabeça existe uma placa

com dizeres em códices indonésios.


O céu carrega todas as minhas estrelas

e as gaivotas nos ares são altares

e sou apenas a mão que segura a caneta

num universo em que tropeço todas as manhãs bem cedo.


Ser poesia é obrigatoriamente ser poeta

e em minha maleta secreta

meus olhares são sonhos coloridos

uns leões, outros tigres.


Pois a vida é veloz feito raio

e meu canto é um rosário

malha fina que perpassa a alma de todos

e reescreve um mundo novo a cada tempestade

que carece de qualquer vontade ou de um novo amor

que já vem com data de validade vencida.


(Autoria: poeta Júlio Dalvorine)

País: Brasil

Imagem meramente ilustrativa do Pinterest