terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Saudações nobres amigos. Vamos a mais um poema?


ETERNIDADE


Por que amada, por que amor tanta raiva?

Acaso não percebe o que se passa

Conosco, com nosso amor primoroso;

Que se desfolha mas nunca se acaba?


Acaso não sente no fundo d'alma,

Um fogo que arde e queima o peito aos poucos;

Tal qual Prometeus na árdua e velha sarça,

Acorrentado, subjugado e louco.


Acaso amor nem por um tempo breve,

Pondera em seu coração nem percebe,

Que seu poeta morre pouco a pouco?


Acaso amor, acaso sou passado;

Mero fantasma preso e condenado;

Sofrendo de solidão e desgosto.


(Autoria: poeta Júlio Dalvorine)

País: Brasil

Imagem meramente ilustrativa do Pinterest
 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Oi pessoal, vamos a mais um poema?

 TEMPERO DE SOL


Tenho força só dentro da força que não tenho.

Quero ir além de todas às fronteiras que não conheço,

pois esqueço-me sempre ao derredor de qualquer coisa.

Qualquer inútil coisa dos mundos que me rodeiam.


E quando penso, penso à minha própria figura,

horizontal sem largura ao relento das estrelas.

Minha alma dói de uma dor que não compreendo,

e nunca me lembro de ser qualquer outra pessoa.


Meus terremotos saculejam minhas fracas pernas,

e tudo me condena a ser fuligem de outros passados.

Quadros rasgados, paredes derrubadas pela força do tempo,

e pouco ou muito coisa alguma lembro; do pássaro, voz nenhuma ressoa.


Minha filosofia é vã e totalmente restrita,

pois carrego na vida uma cor não inventada.

Minha nobre e bela estrada de areia e vento,

todo meu tormento termina com minha própria chegada.


E se sou algo de alguma coisa sem palavra,

minhas asas arrastam-me para uma bela florada;

aonde o tempero do sol são às cores da vida,

e minhas ideais margaridas feito cipós se alastram.


(Autoria: poeta Júlio Dalvorine)

País: Brasil