TEMPERO DE SOL
Tenho força só dentro da força que não tenho.
Quero ir além de todas às fronteiras que não conheço,
pois esqueço-me sempre ao derredor de qualquer coisa.
Qualquer inútil coisa dos mundos que me rodeiam.
E quando penso, penso à minha própria figura,
horizontal sem largura ao relento das estrelas.
Minha alma dói de uma dor que não compreendo,
e nunca me lembro de ser qualquer outra pessoa.
Meus terremotos saculejam minhas fracas pernas,
e tudo me condena a ser fuligem de outros passados.
Quadros rasgados, paredes derrubadas pela força do tempo,
e pouco ou muito coisa alguma lembro; do pássaro, voz nenhuma ressoa.
Minha filosofia é vã e totalmente restrita,
pois carrego na vida uma cor não inventada.
Minha nobre e bela estrada de areia e vento,
todo meu tormento termina com minha própria chegada.
E se sou algo de alguma coisa sem palavra,
minhas asas arrastam-me para uma bela florada;
aonde o tempero do sol são às cores da vida,
e minhas ideais margaridas feito cipós se alastram.
(Autoria: poeta Júlio Dalvorine)
País: Brasil
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