ALQUIMIA PESSOAL
Paro numa esquina e procuro a mim mesmo noutros lugares.
Sinto-me sem pensar a mim mesmo,
tenho desejos de desejar nenhum sabor.
De meus olhos caem pontes e torres,
e de meus lábios o silêncio cresce até os céus.
Várias formas retorcidas se dividem em mim,
e sou o último a pisar na esquina das lembranças.
O livro de poemas sorri em meu universo secreto,
feito tempestade que molha a todos só não molha a mim.
Sou o tempo de dizer e de calar qualquer coisa,
se desmontando em fatias ao sul de minha inconsciência.
E todo o meu conhecer é a causa da minha ignorância,
na escada corroída da minha consciência.
Sou parte de tudo e tudo por mim passa,
projetando minha existência para elém de mim,
logo eu que não me conheci antes de mim,
nem alcancei a forma de ser outra pessoa.
Autoria: poeta Júlio Dalvorine

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