DESEJO DE DESEJAR
A fumaça do tempo
embriaga minhas lembranças.
O infinito se derrama para além de mim
bafejando novas galáxias.
Algo me chama, convida-me.
Ousadamente conhece o meu íntimo.
Que mistério pode haver antes de qualquer coisa?
Penso e, pensando me aborreço.
Mas é lindo o surgir das novidades,
tesouros dos sonhos bem guardados.
De minha janela imagino tudo que posso,
e o que não posso também imagino sossegado.
Bela e graciosa liberdade
minha prisão é a vontade.
O desejo de desejar o infinito que não me cabe.
De minha janela sou o único
que não sabe, saber o que se sabe.
De minha janela esquadrinho tudo que minha vista alcança,
e o que não alcanço completo com minha loucura tão sábia.
É a hora, e a hora é de contemplação.
Singular vastidão com rosto de espaço.
Em meus sonhos transcendo em versos
tudo que não conseguem físicos e matemáticos.
E no fim de tudo há uma nova canção
que já é velha para o coração que se mantem fechado.
(Autoria: poeta Júlio Dalvorine)
Imagem meramente ilustrativa do Pinterest



