segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Olá, sou o poeta Júlio Dalvorine e este é mais um de meus poemas autorais. Espero que apreciem!

 


NOVIDADES


Tragam-me o novo, o claro renovado.

O agora é o que tenho a me sorrir e estou satisfeito.

E só de pilhérias abotoo minha casaca.

Tragam-me o novo, rasguem minhas carnes velhas

os chacais turbulentos do desgosto.


Não tenho compromisso com ninguém;

como poderia se sou todo o universo?

e por mim dentro há uma fileira de desgraçados.

E lá no fundo bem que gosto de ser diverso.


Tragam-me o novo, novinho em folha

com suas lâminas afiadas.

Tudo mais é uma cobra mal matada;

um dragão tatuado pelo corpo inteiro.


Quebrem o alfabeto e todos os idiomas.

Façam fogueiras de diplomas.

Derrubem a grande pirâmide sagrada.

Deem boas vindas à todas as tempestades que devastam.

Sejam novos, novinhos na imensidão de suas eiras,

e que morra a velhice de forma gostosa e sossegada.


Tragam-me o novo para que eu renasça,

no corpo redondo de um trágico espelho.


(Autoria: poeta Júlio Dalvorine)