NOVIDADES
Tragam-me o novo, o claro renovado.
O agora é o que tenho a me sorrir e estou satisfeito.
E só de pilhérias abotoo minha casaca.
Tragam-me o novo, rasguem minhas carnes velhas
os chacais turbulentos do desgosto.
Não tenho compromisso com ninguém;
como poderia se sou todo o universo?
e por mim dentro há uma fileira de desgraçados.
E lá no fundo bem que gosto de ser diverso.
Tragam-me o novo, novinho em folha
com suas lâminas afiadas.
Tudo mais é uma cobra mal matada;
um dragão tatuado pelo corpo inteiro.
Quebrem o alfabeto e todos os idiomas.
Façam fogueiras de diplomas.
Derrubem a grande pirâmide sagrada.
Deem boas vindas à todas as tempestades que devastam.
Sejam novos, novinhos na imensidão de suas eiras,
e que morra a velhice de forma gostosa e sossegada.
Tragam-me o novo para que eu renasça,
no corpo redondo de um trágico espelho.
(Autoria: poeta Júlio Dalvorine)

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