A ARTE DE NÃO SABER O QUE SE SABE
Toco na face do mundo
rabisco um destino diverso
emolduro galáxias distantes...
Dirá minha consciência, que desconheço
todo e qualquer lugar que não visitei.
E novamente poderei maliciosamente rir
de tudo que não conquistei.
Sabe-se-lá meu amigo, o que seja ser alguma coisa.
Sabe-se-lá meu inimigo qual a causa do meu sorriso indigesto e nervoso.
Meu olhar adora olhar às estrelas
e sou repetição de alguma ação que costura meus beijos ainda não nascidos.
Cometa canhestro de outros paraísos.
O ontem do hoje que nenhum amanhã fluirá.
E vou compor este poema para provar que sou
sol, lua e mar; e que na distância dos polos descansa o abismo do pensar de todas as pessoas.
No mais, tudo que antes era nunca mais será.
Fumaça e vento, temperamento, arte de brincar.
Choveu ouro nas rimas do velho arvoredo a balançar,
e quando faço segredo é porque não o soube revelar.
E tudo descansa quando me esqueço de sonhar e me transformo
em lágrimas quando o vento sopra, vadio e brincalhão, do alto de uma torre que não sabe se acabar,
pois que nunca existiu nem nunca existirá.
A pedra esfolou os pés dos camponeses madrigais
e nenhum tempo haverá que não tenha conserto
se novamente no revirar dos joelhos sebentos
outros tantos desejos sob às plagas que vejo
de outras formas que o ser pequeno, humano e mortal
se pode pensar nas lâminas dos múltiplos
espelhos que sabe não saber haver tempo algum
em nenhum lugar que se não possa chegar sem
antes plenamente se conhecer como algo
sentenciado a ser novo o tempo inteiro.
(Autoria: Júlio Dalvorine)
País: Brasil
Imagem meramente ilustrativa do Pinterest

